
Com esse artigo quero dar continuidade ao “Desenho a mão livre… é importante?”. Para quem não quiser acessar o link, esse foi um artigo que escrevi a mais ou menos 1 mês atráz que abriu a discussão sobre a importância do desenho tradicional para quem trabalha com design, 3D, e outras áreas afins. Bom, sei que o título desse artigo deve parecer um pouco estranho, mas vou tentar mostrar aqui que não é tão estranho assim.
Quem acompanha o blog sempre, deve saber que eu trabalho na área de 3D, mais especificamente modelagem 3D. E estou fazendo um curso de modelagem tradicional em massinha (escultur tradicional) e modelagem com o softwear Zbrush (escultura digital). Quando comecei o curso de massinha não fazia idéia do avanço que poderia me trazer para trabalhar com 3D. Para ser bem sincera fui fazer o curso mais pela diversão do que pelo aprendizado que poderia ter.
Após 1 mês e meio de curso eis a surpresa que tive, estou aprendendo muuuuuuito mais com a escultura em massinha do que com a escultura digital. Quando modelamos um personagem em 3D, a maior parte do tempo e atenção são gastos em preocupações mais técnicas, como o edge flow dos polígonos e o próprio funcionamento do softwear. Mas ao contrário disso, já na minha primeira experiência com a modelagem tradicional, pude perceber que as questões técnicas não deveriam nunca tirar a importância das questões artísticas.
Com a modelagem em massinha conseguimos prestar atenção em todo e cada detalhe da anatomia do personagem, em suas linhas de movimento, em suas expressões, e toda construção estrutural toma uma importância muito maior. Tudo aquilo que se aprende estudando anatomia em desenho ganha uma maior complexidade.
O 3D gerado por computador, em minha opinião nunca trará o mesmo tipo de experiência que a escultura tradicional tráz para o artista 3D. E a questão está não só durante o processo de modelagem, mas também nas pausas….. vou explicar melhor. Quando estamos em um processo de modelagem 3d no computador, entre uma pausa e outra não ficamos observando naturalmente o que já está feito na tela. Já no caso da escultura tradicional, a experiência que temos ao observar constantemente (mesmo que sem querer) o modelo é o grande diferencial. Quando ficamos tempo demais olhando para um modelo de um mesmo ponto de vista, nosso olhar fica viciado e não percebe mais os possíveis erros ou distorções. O modelo em massinha está sempre ali, para ser olhado e observado de qualquer ponto de vista, de qualquer distância, e em qualquer momento, substituindo de maneira muito mais completa e eficiente o zoom e o rotate do computador.
Bom, acho que consegui mostrar aqui a importância das artes tradicionais para um bom desenvolvimento criativo, dando continuidade ao artigo anterior.
Aliás, para aqueles que gostam de assistir aos “making of” de filmes, a partir de agora vão poder notar que atráz dos entrevistados sempre tem algum modelo do filme em tamanho 1 para 1 assutadoramente real. Podem acreditar que são feitos de massinha e estudados em suas diversas possibilidades formais antes que qualquer 3D seja feito. Bons exemplos desses “making of” podem ser vistos no King Kong, Senhor dos Anéis, e até nos mais antigos como Jurassic Park.
Vou postar um link para o fórum ConcepArt, direto para o tópico “sculpture”, onde poderão ver alguns trabalhos interessantes. Também colocarei alguns links de estúdios famosos da indústria cinematográfica.



















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