
Saudações, caros amigos e amigas do WebArtz! Como alguns já devem saber, eu sou o novo colaborador na equipe, Adelson Tavares, da área de Ilustração e 2D e que deveria ter aparecido por aqui já faz um tempinho.
Minhas sinceras e singelas desculpas, mas esse reles mortal, ilustrador e designer estava atarefado com os serviços da profissão que teimam em nos pegar sempre na última hora, com prazos mais apertados do que o ônibus de manhã cedo, mas que nos deixam aliviados pois põem o café e o pão na nossa mesa, ou financiam aquele Batman Begins bacana lá no cinema com a patroa…
Mas, acreditem, esses contratempos foram muito proveitosos, pois me ajudaram a idealizar o assunto do nosso primeiro papo por aqui. Senta na cadeira que vamos ter uma breve conversa sobre Ilustração.
Ok, talvez não seja tão breve assim…
É muito comum confundir Ilustração com desenho. Talvez seja mais comum ainda não se conhecer tal profissão pelo nome que tem, sendo muitas vezes confundida ou tendo a sua evidência perdida em uma “mistura” com outros elementos da comunicação nas diversas mídias que permeiam o nosso dia à dia.
O fato é que Ilustração é uma atividade presente nas nossas vidas há muito tempo, dos egípcios ao quadrinista, de algumas obras de arte clássicas ao que se vê em milhares de publicações que ocupam as prateleiras das bancas de revista e livrarias, do desenho animado ao videogame.
Talvez seja mais fácil entender o conceito de ilustração pela sua ação. Ilustrar é comunicar por meio ou com o apoio da imagem.
Daí a dificuldade e ineficiência em estreitar a Ilustração aos limites do desenho, pois uma fotografia também pode ilustrar algo (apesar de que é preferível referir-se ao uso da foto por fotografia, mesmo) e hoje vemos mais e mais técnicas e formas de expressão sendo usadas nessa atividade, como colagens, montagens, 3D, etc. É entendendo-se esse propósito de transmitir e/ou apoiar uma mensagem que fica mais fácil discernir a ilustração das outras manifestações que usam as mesmas formas e técnicas de expressão, o objetivo da ilustração é muito mais direto e estreito do que o que conhecemos como obras de arte, que não precisam necessariamente de um propósito. Pensando-se, nisso é interessante ressaltar uma passagem do Guia do Ilustrador, obra do ilustrador Ricardo Antunes e material obrigatório à quem tem interesse pelo assunto:
“A diferença da obra de arte, ou fine arts, como alguns chamam, é que nas artes plásticas a obra não necessita de um propósito específico, é algo interpretativo, e muitos artistas realmente contam com a sensibilidade do espectador para que ele interprete como quiser. A comunicação é mais receptiva do que transmissiva.
Na ilustração é o contrário, existe uma mensagem clara e definida, que precisa ser comunicada e recebida conforme o ilustrador a concebeu. Podem haver metáforas, comparações, sínteses, mensagens subliminares, e até um certo nível de mensagem cifrada, códigos de comportamento ou regionalismos, um “sotaque” entre aspas, mas o artista neste caso quer que o espectador entenda o que ele quis dizer.”
Assim, a profissão do Ilustrador exige não só um bom conhecimento de técnicas e estilos, mas uma extraordinária noção de comunicação. Do contrário, o resultado seria um produto s bonito aos olhos, mas sem objetivo e efeito.
Mas, é também por trabalhar com a comunicação, que o ilustrador pode usufruir de muitas áreas e campos de trabalho distintos, bem como métodos e técnicas de abordagem. Além disso, é uma área que se desenvolve, e muito, com o avanço da tecnologia, ramificando-se cada vez mais e proporcionando novas oportunidades tanto para aqueles que a praticam quanto aos que dela usufruem.
Apesar de não ser uma profissão regulamentada (em termos jurídicos), é uma atividade que não é para qualquer um, exigindo altíssima dedicação e estudo do seu aspirante. Talvez um dos grandes problemas encontrados atualmente seja uma disparidade e muitas vezes má formação de profissionais que pulam etapas ou negligenciam requerimentos para trabalhar na área. É muito comum, por exemplo, pessoas que se dedicam demais à técnicas e perdem o embasamento teórico e vice-versa. Por isso, iniciativas de todo o lugar surgem para dar apoio aos interessados em ingressar na carreira de ilustrador, como o Guia do Ilustrador, comunidades como o Ilustragrupo , publicações acessíveis ao público, como a Revista Ilustrar, bem como blogs e websites de muitos profissionais da área que compartilham um pouco da sua experiência, como o blog do Hiro Kawahara.
Tudo isso é necessário porque o mercado de ilustração, apesar de muitas vezes não parecer, é exigente e só aqueles que fazem um bom trabalho conseguem se estabelecer nele (como qualquer área de trabalho). Todos nós sabemos que o mercado vive de tendências, por exemplo. É justamente sobre esse aspecto que pretendemos falar mais um pouco na continuação da nossa conversa, com dicas e comentários do próprio Ricardo Antunes!
Até lá!
Adelson Tavares
Concept Artist, Designer and Illustrator
















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