Usando Referências
Usando Referências

Fala, pessoal? Tudo bacana?

Hein?!  Não lembram mais de mim? Pois é, andei realmente sumido.  Desculpem, mas este aqui vos promete não se afastar mais por tanto tempo.

Então, hoje vamos falar sobre um assunto que tem a ver não só com ilustração, mas qualquer área que trabalhe com idealização de algo. Falaremos sobre referências.

Ultimamente ando vendo muita gente usando o termo “sem referências” como um item que “engrandece” um determinado projeto e isso de certa forma me preocupa, porque referências são coisas muito importantes no nosso trabalho.

Não vou me ater aos conceitos de originalidade x cópia porque acho que todos já entendem a diferença (ou talvez isso poderia dar um outro assunto bastante legal, não acham?). Só para não deixar em branco, o uso de referências não tem nada a ver com cópia em nenhum aspecto.

Vamos começar do simples, digamos que você seja chamado para um job onde teu cliente peça um desenho de algo comum, uma baleia, por exemplo – não que baleias sejam comuns e pessoas as criem em suas piscinas. Fácil, hein? Todo mundo já viu uma baleia, independente de você ter ido à Abrolhos ou assistido ao Discovery Chanel, “eu não preciso pesquisar sobre isso”, correto?

ERRADO.

A grande diferença entre pessoas que fazem algo decente e aqueles que “empurram com a barriga” está no quanto você aplica de atenção  embasamento ao teu trabalho, afetando assim, o seu resultado. Muita gente acha que a necessidade de referências só vem quando a coisa é totalmente fora da área de conhecimento (como um M48 Patton Tank – o que diabos é isso?) , bastando apenas o senso comum na maioria dos casos.

Primeiramente, jovem gafanhoto que acredita não usar referências, TODOS nós trabalhamos com referências. Tudo o que criamos e idealizamos vem de experiências anteriores que acabam gerando novos conceitos na nossa mente. A idéia do nada se cria, tudo se copia é verdadeira se analisarmos por esse ponto, apenas alterando que não estamos copiando algo e sim desenvolvendo outra coisa com base num repertório. Porque nem sempre a criatividade é dar vida a algo novo e sim apresentar algo de uma nova forma.

O Boris Vallejo disse uma vez (ou foram varias?!) que ele não usava referências para suas imagens. Bom, primeiramente, eu não acredito muito nisso – mesmo que muitos de seus trabalhos estivessem um pouco fora de proporção, concordo (acalmem-se, fãs do grande mestre, eu continuo achando o cara soberbo!). Levando em conta o conceito que eu expliquei anteriormente, tudo o que idealizamos vem de um “repertório” que construímos nas nossas experiências de vida, ficando claro que sempre teremos referências e, o melhor, criaremos referências para algo.

Partindo para um conceito mais físico e saindo um pouco de toda essa viagem psicológica, vemos a grande importância do uso de referências nos nossos trabalhos.  Falo de referências físicas, a exemplo dos dados coletados sobre determinado assunto, como fotos, desenhos, textos, vídeos etc.

Podemos – e acredite, DEVEMOS – criar uma biblioteca própria de referências que possam ajudar no nosso trabalho no dia à dia. E você não precisa necessariamente de modelos vivos ou viajar para lindas paisagens (o que pode ser legal tbm.)

Não é a toa que se fazem tantos artbooks, coletâneas, catálogos, etc. Sempre haverão formas bacanas de reunir conteúdo referencial para todo o tipo de criação e, como profissionais, devemos sempre estar atentos para “filtrar” tudo o que se passa ao nosso redor e trazer isso para o nosso repertório,  criando a nossa biblioteca de referências.

Existem formas bacanas de organizar tudo isso. Nunca é tarde para iniciar nosso acervo. Separe fotos, crie uma pasta no seu computador com subpastas dos temas que você acha legal e necessário. Para cada job que você tiver, crie um arquivo com referência.  Lembre, tudo aquilo pode ser usado posteriormente em outra coisa, inclusive as suas próprias criações podem servir de referência para outros trabalhos seus.

Vá longe, não limite-se a arquivos de fotos encontrados no Google.  Achou a textura de algo bacana? Pegue uma amostra – mas não cause dano à propriedade alheia (ou, se fizer, não conte onde leu isso, ok?). Tenha referências de vários estilos, assim vai ficar fácil quando teu cliente pedir algo num estilo específico. Ande com uma máquina fotográfica e registre o que você achar legal (sempre há um momento bacana onde você pensa “caramba, se eu tivesse uma câmera agora…).

Viaje mesmo, quanto mais referências você tiver, mais rico o teu trabalho pode ficar.

Textos também são referências, o Hiro Kawahara pesquisa muito seus temas antes de criar as toalhas de bandeja do Mc Donald’s, por exemplo. Uma coisa legal da nossa profissão é que estamos sempre aprendendo coisas de várias áreas, nunca se sabe quando será útil conhecer determinado tema – fora que aí você também pode bancar o intelectual nas horas vagas.

Sendo um pouco mais específico no que diz respeito à ilustração: tenha muitas, MUITAS imagens, povoe sua mente e visão com imagens dos mais variados estilos e cores, temas e culturas. Tenha de onde buscar escalas de cores, informações importantes sobre anatomia (ta cheio de foto de gente pelada por aí) e elementos variados, como cenários, veículos, trabalhos de outros ilustradores, etc.

Nunca tenha receio de mergulhar fundo nas suas referências e achar um ponto de partida legal. Mas, uma vez que achar aquilo que você realmente quer, evite se perder demais buscando coisas do mesmo segmento, pois há um limite para informação na hora de criar e se isso for ultrapassado acaba confundindo mais do que ajudando.

Por fim, referências ajudam muito a ter novas idéias e é sempre bom vasculhar as diversas fontes quando você realmente não está em um dia muito criativo. Mesmo que teu chefe reclame que você gasta tempo demais “olhando porcaria” na internet, continue buscando novas fontes de inspiração (e relaxamento.)

22 de junho de 2009
Categoria(s): Concept Art, Design e Inspirações, Ilustração Digital
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Sobre o Autor
Adelson
Ilustrador e Concept Artist, amante de vídeogames, comics, rpg, cinema, literatura, mangá e anime. Madrugador nato, dividindo suas horas livres e moribundas entre rabiscos overdósicos e "replays" de Xenogears.
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